Recensões e testemunhos

Sobre "Os Idiotas"

«Os leitores do jornal Eito Fora e da revista Periférica, que dirigiu, reconhecerão o estilo irónico e bem-humorado de Rui Ângelo Araújo.»
- in Jornal de Letras
«Mais do que as histórias, as viagens – pela Roménia, pelo Vietname — e as personagens, ficou-me a energia do tom do livro, que não encontro com tanta frequência na novíssima literatura portuguesa: um fulgor descomplexado, uma vocação para a frase crua de efeito satírico, uma especulação de cronista livre, uma mundana deambulação sem sinal de parábola.»
- Nuno Costa Santos, in O Marginal Ameno

Sobre "Hotel do Norte"

«O Hotel do Norte […] é um local povoado por memórias. […] E vamos à sua descoberta a partir da chegada dos retornados de 1975 ali, como a muitos outros locais em Portugal.  […] Em cada momento desta história soberba contada por Rui Ângelo Araújo desvenda-se uma era do Hotel do Norte.»«São diferentes olhares que nos dão diferentes ângulos de vida em épocas que se cruzam. A beleza das descrições interiores, a forma como se iluminam os pensamentos pessoais e a dinâmica da narração tornam este romance um belo exercício de escrita. Rui Ângelo Araújo mostra aqui, na sequência do que já havia feito anteriormente, que é um excelso prosador. "Hotel do Norte" é, a partir de um edifício onde se tratam os males, um olhar sobre a própria decadência de um povo e de uma nação.»
 Fernando Sobral, in Jornal de Negócios
«Seria fácil nomear o edifício que dá nome ao livro como a personagem principal, pois é a presença permanente em todo o enredo, nos vários tempos distintos em que se desenrola. Mas não: há uma sobreposição das personagens ao espaço, não são apenas figuras a movimentarem-se num cenário – antes pelo contrário, cada uma delas […] são pessoas a quem podemos vislumbrar o mais fundo do perfil psicológico, as motivações, as dúvidas, as angústias, os sonhos.

O núcleo temporal da história é 1975 (continuando para o ano seguinte), com a presença no Hotel do Norte de cerca de centena e meia de homens e mulheres vindos das antigas colónias portuguesas, agora independentes – os chamados "retornados". Mas a narrativa desloca-se alternadamente para 2008 e para 1941 (e, apenas uma vez, para 1970), num exercício de apelo à perspicácia do leitor para ir percebendo os pontos de ligação entre eles. Há uma história que é contada, há pessoas, cada uma delas com a sua complexidade, há um cenário que as congrega. Há depois momentos que nos trazem luz a situações que poderiam ser de outro qualquer contexto e passam despercebidas: o racismo quase inconsciente a aflorar de raivas sufocadas; o desequilíbrio nas relações entre homem e mulher, com suas pequenas e grandes violências; a hipocrisia banalizada.

É um belíssimo livro, que se lê com muito gosto, mas que exige disponibilidade para pensar.»

 Rui Almeida 

Sobre "A Origem do Ódio"

«Uma novela breve e intensa, que acompanha o progresso de um homem magoado em direção a uma espécie de abismo mental onde o ressentimento e o ódio se tornam alimento para os dias. Mais do que a narrativa dessa progressão, A Origem do Ódio acaba por ser uma reflexão dolorosa sobre o modo como a memória, o acumular de ressentimentos e a incapacidade de encarar o futuro podem deixar um rasto de rancor impossível de apagar.»
- Sara Figueiredo Costa, in revista Blimunda #46 (Fundação José Saramago)

«Seria fácil nomear o edifício que dá nome ao livro como a personagem principal, pois é a presença permanente em todo o enredo, nos vários tempos distintos em que se desenrola. Mas não: há uma sobreposição das personagens ao espaço, não são apenas figuras a movimentarem-se num cenário – antes pelo contrário, cada uma delas […] são pessoas a quem podemos vislumbrar o mais fundo do perfil psicológico, as motivações, as dúvidas, as angústias, os sonhos.

«“[…] uma novela de 92 páginas sobre essa condição universal que é o ressentimento amoroso de alguém que não aceita o final de uma relação. Não, o tom e o estilo nada têm de auto-ajuda travestida de ficção. É cru, faz-se de aforismos pessimistas sobre a natureza humana e fixa-se em pormenores de um dirty realism muito cá da casa, tendo como referência ocasional o “patético protagonista” de “Bunny Munro”, romance do senhor Nick Cave, praticante da ancestral arte da masturbação mesmo nas imediações do caixão da mulher.


«As reflexões, com referências artísticas (literárias, musicais) do narrador despeitado, ressentido e vingativo, intelectualizam-no. É a fala de um homem feito de desilusões maturadas pela vida e pelas leituras. Mas que desconfia do seu talento para desfilar o enredo de sua mistura de ilusão e desilusão amorosa: “Sou um advogado que escreve como um engenheiro e argui na barra como um feirante (....), como posso eu falar de amor?”. Mas que é capaz de passagens bem sacadas sobre a natureza humana: “Os homens e as mulheres seriam certamente muito mais infelizes se não tivessem o abrigo da noite para cumprirem os seus ritos proscritos, se a luz do dia fosse permanente e com ela permanente a possibilidade de serem vistos”».

- Nuno Costa Santos, in O Marginal Ameno

Sobre "Villa Juliana"

«Li os três últimos capítulos, hoje à tarde, e de um só fôlego, na procura das ligações que a minha imaginação antecipava... Como são frágeis as percepções que construímos e como, ao mesmo tempo, determinam uma vida... Uma leitura deliciosa! Aguardo mini-série televisiva :)»
- Uma leitora

«É um belíssimo romance. Se eu pudesse escolher o que, para mim, é o ponto mais forte seria a forma como conseguiu escrever, num romance em que a memória é uma categoria narrativa, um texto profundamente contemporâneo.»

- Outra leitora
«Acabei agora mesmo de ler o Villa Juliana. […] só tenho a assinalar uma coisa: o prazer imenso que foi lê-lo. Imenso mesmo. E por vários motivos, que estou ainda a digerir (eu sou lento, e o livro é fundo). Não esperava o desfecho que teve, para o qual não julgo que os tempos que correm sejam especialmente receptivos (seria outra conversa, no contexto da qual […] um Philip Roth seria bastas vezes chamado à baila, que mimos a esse propósito não lhe têm sido poupados. Mas não vejo nesse desfecho outra coisa que não o livro; pontas que podiam atar-se de muitas maneiras, nomeadamente – e não por acaso – do modo como acabaram por atar-se, e muito bem. Fui apanhado muitas vezes na curva, e com isso ganhei o dia. Tal como no romance anterior, o efeito retrospectivo é espantoso, poderosíssimo.»

- Um leitor